Finanças: Bancos brasileiros mostram solidez e inadimplência deve cair

O diretor de Fiscalização do Banco Central, Anthero Meirelles, afirmou nesta quarta-feira, durante divulgação do Relatório de Estabilidade Financeira referente ao segundo semestre de 2012, que as reservas do sistema financeiro nacional continuam em patamares bastante confortáveis, acima da taxa de inadimplência. Em dezembro de 2012, para cada 1 real de inadimplência os bancos tinham 1,6 real de reservas, ou seja, um valor  60% acima da inadimplência. Segundo ele, é um dos melhores níveis do mundo. “Esse dado tem se mantido nesse patamar, que é um nível bastante confortável.”banco-central-brasilia-20110909-05-size-598
Segundo Anthero, os indicadores do relatório mostram que a inadimplência continuará em queda nos próximos meses no segmento de crédito para pessoa física. O BC explica que essa melhora no indicador se deve à queda no número de atrasos acima de 90 dias nos segmentos de crédito consignado e imobiliário, além de uma melhora nos dados de crédito para a compra de veículos.

Em relação aos veículos, a inadimplência verificada em junho de 2011 era de 2% para contratos com atraso de mais de quatro meses, e de 3,6% para contratos atrasados em mais de seis meses. Esses porcentuais caíram para algo próximo de 0,5% e 1,5%, respectivamente, em junho de 2012. Para pessoas jurídicas, a tendência é de queda ou estabilidade, segundo o BC.

Segundo o documento do BC, o nível de endividamento das famílias brasileiras continuou crescendo nos últimos anos, chegando a 43,4% no final do ano passado, ante 43,2% em junho de 2012. Essa elevação veio principalmente do aumento do crédito imobiliário e, diante da perspectiva de que esse segmento continuará crescendo, é possível que seja observada “alguma elevação do endividamento”, segundo o diretor da instituição.

Contudo, Meirelles afirma que a tendência é de que haja queda no comprometimento da renda mensal das famílias nos próximos meses. Esse indicador relaciona o valor das prestações mensais referentes a dívidas bancárias e a renda mensal dos consumidores.

De acordo com o diretor, já houve queda no indicador no segundo semestre de 2012, de 22,9% em junho para 21,9% em dezembro. A queda está ligada, por exemplo, à redução das taxas de juros. “É um nível que está dentro do padrão. É um nível saudável”, afirmou. “O crédito continua se expandindo em ritmo mais moderado, mas a renda também cresce. Os dados hoje indicam para uma redução ou estabilidade nesse patamar.”

O diretor destacou também que, muitas vezes, há aumento no comprometimento da renda com dívidas bancárias por causa do financiamento habitacional, mas a família deixa de pagar o aluguel. “Para a família, podemos ter um alívio na renda. Além disso, está se formando um patrimônio, o que é um aumento de riqueza.”

(com Estadão Conteúdo e agência Reuters)

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